O protagonista desta história é um daqueles rapazes para quem a pergunta “o que queres ser quando fores grande?” não oferece hesitações. Ivo Neto nasceu para ser arquitecto.
Entre esfinges de terra no jardim da vizinhança, arcos de crepes e gelado, monumentos feitos de fruta, certo é que, aos três anos de idade, o pequeno já obtivera o reconhecimento parental da sua genialidade.
Com tanto aplauso e louvor, o pequeno Ivo estaria longe de supor que o pior estava para vir. Na verdade, os problemas bateram-lhe à porta assim que chegou à escola.
NADA DE PRÉDIOS!
Temos muito que fazer, muita coisa para aprender – era o discurso de Dona Pilar, a autoritária professora que quase destruía o que Ivo vinha erguendo, o seu sonho.
É certo que a Dona Pilar tinha as suas razões para tamanho pavor, já que, com apenas sete anos, ficara presa num elevador. De um prédio altíssimo e famosíssimo… Mas isso não justificava cortar as asas ao rapaz.
A escola era como uma gaiola. O sonho de Ivo não parecia caber lá dentro. E o pequeno, numa tristeza só, pensava ” Se não posso construir, o melhor é eu fugir”.
Com uma boa dose de humor, as ilustrações de David Roberts vão revelando ao leitor réplicas de alguns monumentos e edifícios bem conhecidos, como é o caso da ponte de São Francisco, onde não faltam os metros e a data da inauguração. Hilariante é o momento em que, em cima da ponte, Dona Pilar abre a mente para um novo horizonte. Roberts é um versátil ilustrador, de quem sempre lembramos as fantásticas ilustrações a preto e branco ( bem ao jeito de Edward Gorey) dos contos de terror escritos por Chris Priestley. O texto de Andrea Beaty, escrito em verso, cativa os mais pequenos que ouvem a história vezes sem conta, ficando com uma imensa vontade de arquitetar.
Editado pela Caminho, o livro deixa-nos à espera do próximo, uma vez que a dupla conta com vários livros.
E sim, aqui a história acaba bem. Ivo Neto, arquiteto, continua a sonhar. Mas, senhores professores, esta história dá que pensar. Nem sempre há por perto um pontão em risco de desabar.





