Não somos cientistas, mas acreditamos que ler um livro por dia pode ser uma vacina contra a pandemia. Escolher o lugar e o tempo certos para viajar à boleia de um livro é um acto de sanidade mental. É um conforto para o corpo e um aconchego para a alma. Em dias de confinamento, ler com e para as crianças é levá-las a passear. Entre histórias, percorrem outros lugares, conhecem outras vidas, habitam novos mundos. Dito de outra forma, saem de casa.
Para os que não são praticantes e se atrevam a experimentar, este pode tornar-se um novo hábito para amenizar os dias estranhos e pesados que vivemos. Os que já são leitores, conhecem bem as vantagens da receita. Em jeito de calendário adventício antecipado, uma vez que o nosso é sempre feito de livros, deixaremos aqui, até ao Natal, uma sugestão diária de leitura. Com as nossas ou outras sugestões, este Natal, escolham livros. Visitem uma livraria independente perto de vocês e ofereçam livros. A miúdos e graúdos. Boas leituras!Composto em 1928, a pedido da bailarina russa Ida Rubinstein, o Bolero tornar-se-ia a obra mais famosa do compositor francês Maurice Ravel. Ao contrário do que poderia pensar-se, por se tratar de uma música repetitiva e exclusiva para orquestra, a fama e a popularidade uniram-se em torno da obra.
Música, maestro! Ponham o Bolero de Ravel a tocar. Entrem na vila onde a orquestra convidada se prepara para atuar e deliciem-se com o espectáculo. Os músicos acabaram de chegar e estão por todo o lado. Como uma delicada e bela partitura, cada página apresenta-nos um instrumento e os seus músicos. Mas esta não é uma orquestra qualquer. A escolha dos protagonistas recai sobre animais oriundos de algumas espécies ameaçadas de extinção. Delicado humanizou-os e desenhou-os de forma imaculada. Texto e ilustrações convergem numa desconcertante e tocante harmonia, proporcionando aos leitores um concerto inesquecível.




